Por Katia Gomes da Silva
O livro nos traz personagens magníficos. O enredo entrelaça-os, ora um é principal, noutra hora é o outro. Apaixonar-se por eles é tarefa fácil, pois Ana Maria Machado nos convida a contemplar a beleza e a simplicidade da vida por meio de suas palavras. Podemos retirar muitas lições das situações ocorridas e das conversas realizadas. Conversas essas que nos dá vontade de estar ali junto, no meio dos debates cotidianos, participando dos papos, sempre tão interessantes. Somos enriquecidos de informações culturais, literárias e outras. A história se passa na década de 1980, momento de transição no Brasil, época de urgência para uma democratização, muitas vezes banalizadas por nós, nos dias atuais, principalmente, os que já nasceram com ela e que acham tão natural algo que foi duramente batalhado e conquistado.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Corpos perdidos
Por Katia Gomes da Silva
Ah! Esse corpo magro e sarado Sempre disposto, que não nega trabalho
Vontade de te abraçar como nunca e como sempre
Ter junto a mim seu corpo quente
Beijar-te desesperadamente
Sentir tua boca urgente
Tocá-lo quase como em descoberta
Fechar a saudade aberta
Deixar-te sem fôlego e sem ar
Contra o meu corpo te apertar
Com o seu toque me arrepiar
E ver tua boca a me procurar
Roçar a pele e te cheirar
Ouvir teus suspiros e te amar
Ter você mais uma vez dentro de mim
E de novo e outra vez e sempre assim
Novamente te beijar, abafando meus gemidos
Reencontro de corpos perdidos.
A COR DO COLORIDO
Por Katia Gomes da Silva
Há dias em que o céu está tão cinza E o mar calmo, sem graça, sem força.
Cadê o sol? O vento? O luar?
Se não há nada que faça ter alegria,
Ter vontade de viver,
Por que ainda estamos aqui?
Estamos, porque sabemos que um novo dia virá;
Porque sabemos que o sol virá.
Porque sei que você vai aparecer.
E quando você vier tudo terá cor.
Até os dias mais cinzas!
Pois você é o significado da palavra viver,
A tradução do que é esperança.
Com você volto a ser feliz,
Com você volto a ser criança.
Afinal, ele existe?
Por Katia Gomes da Silva
Não sei o que faço com ele,Com a lembrança que tenho dele.
Ele que vive em meus sonhos,
Que me causa insônias...
Chego a ter medo de sonhar novamente
E me apaixonar ainda mais.
Afinal, ele existe?
Por que ele parece ser tão real e
Quando estou acordada não o vejo?
Acho tão bom lembrar-me dele...
Mas tenho que controlar estes pensamentos.
Nem sei se ele existe!
De tanto desejo chego a fazer
Amor comigo mesma.
Eu e eu, e, dentro de mim, eu, apenas...
Semântica do Amor
Por Katia Gomes da Silva
Liberta-me da tortura de não te terCorte as raízes da insegurança
Deixa-me ser a amante de suas noites
Ame-me como nunca
Guie-me pelas sombras do luar
Minta dizendo que jamais me esquecerá
Faz-me estrela do anoitecer
Mostre-me os caminhos tortos da vida
Brinque com as tranças da alegria
Solte o laço da inveja
Encontre-me na janela mais próxima
Desabroche o cheiro bom que você tem
Ilumine-me com seus raios de amor
Abrace-me com calor
Grite meu nome em meio ao caos.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A evolução do homem ao nada
Por Katia Gomes da Silva
O homem estudará tanto, pesquisará tanto, que concluirá que a forma de vida mais sensata e mais digna seja, talvez, àquela dos tempos da caverna, isto é, descobriremos que o mais certo seja o primitivo. Darwin até tinha razão, mas sua teoria estava ao contrário, ao invés de evoluirmos, retrocedemos. Afinal, naquela época, poluíamos menos, comíamos o necessário, matávamos por extrema necessidade, assim como os outros animais, ou por fome ou por ameaça.
A idéia de propriedade não existia, pelo menos não na forma como a concebemos.
Monogamia não fazia sentido, parentesco não era lá essas coisas... nos juntávamos por interesses, continuação da espécie, e éramos honestos em relação a isso, ao invés de mentirmos tanto...
A natureza nos cercava e não o contrário, éramos continuidade e não dominação. E mesmo que nós a dominássemos, poderíamos ter sido mais justos com o mundo, perante as outras espécies e perante a nós mesmos.
Tínhamos tempo para os filhos, não existia televisão, nem internet e nem celular, e sobrevivíamos! Tínhamos nossa imaginação... àquela que perpetuou nossa espécie e não essa que se apaga entre nós, já que são os outros, e num futuro próximo as máquinas, que pensam por nós.
A vida com certeza era mais dura, com menos expectativas de duração e com mais insegurança, mas talvez soubéssemos administrá-la, amá-la e cuidá-la melhor do que hoje e é certo que não daríamos razão a coisas tão pequenas, as quais nos permitimos...
Inventamos tanto a nossa sociedade, criamos tantos valores, tantos conceitos, tantos significados que nem damos conta deles... Acabaram tornando-se armadilhas do nosso cotidiano. Sofremos, morremos por causa deles... Palavras nasceram com significados tão complexos e tão particulares que sentimos tantos sofrimentos desnecessários... A vida deve ser mais simples! A vida deve ter uma finalidade mais modesta, isto é, apenas sermos felizes! Por que será que a dificultamos tanto? Por que inventamos tanto? Criamos tantas formas de vida, que nos fazem escravas delas, parecendo até que nem vivemos...
Hobbes não pode ter razão, o homem não pode ser o lobo do homem, ele deve ter uma alma moral, deve existir uma cumplicidade da felicidade no íntimo de todas as pessoas. Ainda acredito na espécie humana, afinal, um dia a gente aprende. “Onde há vida, há esperança”.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
AS FLORES ROXAS
Por Katia Gomes da Silva
Anteontem, ao passar pelo Aterro do Flamengo, de ônibus, percebi algo peculiar, uma árvore belíssima de flores roxas. Aquela imagem do cotidiano, aquele retrato urbano foi colorido pelo roxo, aquele roxo das flores...Ali, naquele instante, segundos rápidos se tornaram duradouros em minha mente, aquela cena tornou-se eterna, pois aquela árvore me passou tanta paz, tanta tranqüilidade... Aquela vida pura me inspirou tanta inocência, transparência e também, de certo modo, ardor, pois me fez sentir amor, paixão e outros sentimentos tão nobres que o ser humano não sabe curti-los em profundidade, já que possuímos tantos medos...
Aquela árvore... Um roxo que passava relaxamento, permissão, abertura, um desenho mental que traduzia o significado da palavra sim...
Era ela tão grande, tão próspera, tão roxa. Aquela árvore como tantas outras e tão única, tão peculiar, justamente pela sua singularidade.
Ah! O embelezamento que surgia daquelas flores... assim, simplesmente roxas.
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