terça-feira, 15 de novembro de 2011

Somos mais quando somos plurais

Por Katia Gomes da Silva


A cada dia a mais, está normal ser diferente, o mundo percebeu que não dá mais pra ser reducionista ao privilegiar uma estética apenas ou determinadas culturas. É possível a coexistência de vários pontos de vista, vários ângulos da realidade. O individuo continua autônomo para as escolhas identitárias, agora de forma mais democrática e libertária.


Cada vez mais está visível o quanto é belo o humano, seu corpo, seus traços físicos são de uma beleza infinda e se o mudamos é por outras razões que não são os padrões impostos para sermos aceitos socialmente. Os padrões cansam. É uma monotonia nos vermos como grandes xerox’s culturais, esteticamente falando, com os mesmos cabelos, roupas etc. É comum ser alternativo, alternativo em relação aos antigos padrões.


O mundo é complexo e suas possibilidades são várias. Não somos mais “coerentes” com uma marca, com a única opção do “ou”, temos infinidades com o “e”. É tão legal agregar, somar, respeitar, trocar, integrar, se relacionar. Somos mais quando somos todos, quando conectados em pluralidade e em variedade, ganhamos, assim, em qualidade e em compreensão da vida.

sábado, 12 de novembro de 2011

Em cima do muro espio:
a vida que passa,
que vai,
que circula,
que volta,
vida que também me vê...

Katia Silva

Escrito por regina Brett, 90 anos de idade, assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.

 "Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou. É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."
Meu hodômetro passou dos 90 em agosto, portanto  aqui vai a coluna mais uma vez:

1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno.

3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.

4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.

5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.

6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.

7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.

8. É bom ficar bravo com Deus; Ele pode suportar isso.

9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.

10. Quanto a chocolate, é inútil resistir. 

11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.

12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.

13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.

14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.

15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe: Deus nunca pisca.

16. Respire fundo. Isso acalma a mente.

17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.

18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.

19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.

20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.

21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chique.  Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.

22. Prepare-se mais do que o necessário; depois, siga com o fluxo.

23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.

24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.

25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você.

26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras "Em cinco anos, isto importará?".

27. Sempre escolha a vida.

28. Perdoe tudo de todo mundo.

29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.

30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo.

31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.

32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.

33. Acredite em milagres.

34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez. 

35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.

36. Envelhecer ganha da alternativa "morrer jovem".

37. Suas crianças têm apenas uma infância.

38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.

39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.

40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos  nossos mesmos problemas de volta.

41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.

42. O melhor ainda está por vir.

43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.

44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um "presente"."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A missão de viver

Por Katia Gomes da Silva
Não faz sentido viver por viver. Pra viver, tem que ter vontade de viver. Já não dá mais pra viver descompromissadamente. Viver exige cuidar e cuidar tem relação com poupar, tratar, manter. Quem cuida sempre tem e pra isso a cidadania é o elemento mais significativo. A vida coletiva não é diferente da vida individual, é cuidar do que é nosso, do que deixaremos para os nossos filhos. Uma vez me disseram que rezar pra Deus é cuidar: é ser solidário com o vizinho, com o outro que nem conhecemos; é proteger a infância, as crianças que são de responsabilidade de todos nós. É plantar, cuidar dos animais. É limpar. É procurar a alegria e a boa vontade. É estar disposto. É lutar por si e pelos demais. Rezar é buscar o equilíbrio do mundo e das coisas. É crescer com sustentabilidade. É ter cuidado, é prezar, é ter consciência. Rezar não é ficar pedindo pra ter o melhor carrão, a mansão e ficar rico. Rezar é se ligar a Deus, pensando o bem, fazendo o bem, para transformar as coisas, afinal “gentileza gera gentileza”.
 É claro que a questão-chave disso tudo está na educação, na ação de educar. No sentido mais amplo da educação, de responsabilidade de todos nós, ao darmos o exemplo para que as coisas boas sejam repassadas. Conseguimos uma sofisticação impressionante de sociedade, mas nos perdemos em paixões, paixões no sentido de estarmos movidos por sentimentos irracionais, pois são elas também que nos configuram como humanos e não máquinas. Não devemos perder nossa sensibilidade, mas precisamos nos comprometer com o “pacto social” (fazendo uma referência à política clássica), e também entender e praticar o sentido real da Revolução Francesa (nos lemas: fraternidade, igualdade e liberdade).
A escola é o ambiente em que precisamos nos esforçar ainda mais e lutar por sua proteção e qualidade. Ali o mundo é gerado, ali nascem idéias, conceitos são passados. É onde está nossa sobrevivência, científica e cultural, e é lugar propício para perpetuarmos nossos desenvolvimentos sociais. O ponto aí são os profissionais da educação que precisam ter uma formação de qualidade e serem valorizados profissionalmente. Por meio da educação, um novo mundo é possível, mais justo e igual. O bem, a ética e a justiça são idéias e ações que são passíveis de aprendizagem e apreensão, logo são possíveis, não é utopia, podem ser sim realidade. Basta querer meu Brasil!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Saberes interligados

Por Katia Gomes da Silva
O tempo não para. Estamos em constantes mudanças e com elas vêm os avanços tecnológicos e novas formas de pensar o mundo. A escola e a educação estão dentro desse processo. Portanto, é necessário haver a eterna preocupação em se atualizar. O ensino tradicional, conhecido e trabalhado da mesma forma ainda nos dias atuais, deve ser repensado, a fim de corresponder às demandas desse novo mundo que já nos abriu as portas.
A forma mais comum de aprendizagem consta de disciplinas separadas em tempos de aulas, formando os alunos dentro do universo daquelas matérias de forma cartesiana, isto é uma visão linear das coisas, megaespecializada, entendendo a ciência em suas minúcias acadêmicas pela busca do máximo do aprofundamento para se aprender e, conseqüentemente, depois divulgar para a sociedade.
Essa visão que fragmenta os estudos não deve ser abandonada. Entretanto, ela deve dar conta de outras partes para que haja a composição do todo novamente. É como aprendemos no colégio, com a famosa frase de Gestalt, “o todo é a soma das partes”. Contudo, muitas práticas pedagógicas não se preocupam em fazer esses links depois. Com isso, a aprendizagem fica comprometida ou vista como sem sentido para muitos alunos.
O mundo está cada vez mais interligado, com notícias aparecendo instantaneamente com fácil acesso a todos. Estar preparado para saber criticar as informações recebidas, assim como transformá-las em formas úteis de trabalho ou saber mudar a vida tal qual ela nos é apresentada é um desafio atual para todos os viventes. A escola tem que se preocupar com isso, ou seja, deve inovar suas práticas pedagógicas de forma a mostrar o conhecimento mais integrado, trazendo uma visão mais abrangente das coisas, mais totalizado. Isso é possível por meio da interdisciplinaridade.
Esse nome comprido e que está em voga nada mais é do que integrar os saberes. Sua finalidade é em esclarecer o conhecimento para além dos limites e fronteiras existentes nas disciplinas. De forma dialógica, as disciplinas diversas se complementam para explicar um assunto que terá mais facilmente em ser aprendido se for para além dessas fronteiras, das matérias fragmentadas.
Pensar o aquecimento global, a globalização ou a democracia, por exemplo, é necessário ultrapassar as divisões demarcadas nas disciplinas. Por meio dessa interação, o saber se torna mais interessante e mais completo. Assim, o aluno possuirá mais noção sobre a composição das partes fragmentadas em disciplinas e também saberá coordená-las, vendo a junção das diferentes partes que estão tentando dar conta das complexidades da vida.
Não se trata de uma competição das disciplinas, muito menos o esvaziamento delas, ao se unirem para enriquecer o ensino, logo demonstrarão com mais propriedade os diferentes ângulos da vida.  Trata-se de ressignificar os métodos pedagógicos e repensar os conteúdos, organizando e divulgando os conhecimentos de maneira articulada para que os alunos estejam preparados para as demandas da vida em sociedade, respondendo às exigências impostas por esse mundo globalizado e interligado, do qual todos nós fazemos parte.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Onde estará o meu amado?

Por Katia Gomes da Silva
Onde poderá estar o meu amado? Próximo? Distante?
Onde estará o meu amante?
Será que ele está a me imaginar como eu seria, assim como eu fico?
Ou pode estar ele à toa a princípio?
Estará ele a passear, a cantar, a se divertir, nesse momento?
Ou pensa que sua vida é um tormento?
Estará ele acompanhado ou estará sozinho?
Quando ele esbarrará no meu caminho?
Será que ele pensa, em um dia, me encontrar?
Será que ele está perto de me achar?
Isso acontecerá como puro acaso do destino?
Ele estará a me procurar como em desatino?

Quando irei conhecê-lo?
Quando terei-o?

Quanto amar-te-ei?

Um dia, meu bem,
Nossas vidas se tocarão
E tal como a eterna renovação
Ao som da canção
Nossos corações dançarão
No compasso sincopado do samba

Beijos de quem não o conhece e já o ama...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Conversas com meu pai

Por Katia Gomes da Silva
Numa dessas saídas com meu pai, ele estava a falar dos antigos bailes de interior os quais ele participava em sua mocidade, isso por volta da década de 1950. Ele me dizia “aquilo que era música, aquilo que era dança. Tudo arrumado, com muito respeito, não era essa bagunça de hoje em dia. Eu gostava de tocar instrumentos e dançar até o dia amanhecer. Os bailes e as festas eram preparadas com semanas de antecedência, com muita comida, e as mulheres se preparavam passando banha nos cabelos.” Fora a parte da banha, todo o resto me encantava, ficava a imaginar esses bailes em minha mente.
Meu pai sempre “arranhou” em alguns instrumentos musicais, talvez seja por isso que eu admiro tanto os músicos, a questão do ouvido para a música e principalmente quanto à disciplina. Também deve ser uma das razões que me fizeram querer cantar em coral e fazer dança de salão. Meu pai não entendia direito sobre o coral, mas ficou animado com a dança, perguntou-me se eu já tinha aprendido marcha, rumba etc, eu expliquei que eles ensinavam outros ritmos, falei do bolero e ele logo questionou de que tipo e listou alguns, dos quais só me recordo o nome bolero mambo. Disse-lhe que era bolero, bolero, ele respondeu apenas um  “sei”. Acho que não o convenci muito e mostrei minha quase total ignorância no assunto. rs
Um pouco mais de conversa e ele começou a contar sobre as enormes casas da roça e dos seus tipos e estilos. Ele quis saber se eu conhecia a casa de sapê, contei que só conhecia pela música. Depois ele comentou sobre os animais que ele convivia, falou-me de uns bichos que nunca ouvi o nome e ele percebeu minha surpresa. Ele logo suspira “essa vida da cidade...”.
Mais tarde, ele avistou uma árvore e perguntou-me o nome. Eu disse que não sabia. Meu pai quase que indignado me indaga: “minha filha, pra que você estuda tanto se não sabe nada das coisas da vida?”. Só pude responder: “É pai (detalhe que ele não tem nem o primário completo), o Sr. tem toda a razão...”